15 de janeiro de 2018

Propagandas geniais

A publicidade de automóveis no Brasil se resume atualmente a:

1) Caminhonetes trafegando em alta velocidade por uma estrada de terra;

2) SUVs trafegando por uma cenário urbano genérico, o centro de uma metrópole qualquer, sempre estranhamente vazio e com as pistas molhadas.

3) E só.

Por isso que essa propaganda argentina do Mégane é genial. Baseada em um conto literário de Julio Cortázar, escritor também argentino, é muito bem produzida e o clima de tensão é sensacional. Destaque para a trilha sonora de fundo:



E para não dizer que no Brasil não éramos capazes de fazer boas propagandas de automóveis (éramos sim, há centenas de exemplos), acho esse vídeo espetacular, o casamento da imagem com a música é perfeito. Ford Focus 2009:



 

3 de junho de 2015

Propaganda de perua

Todo carro no Brasil tem que ser aventureiro. A molecada dos departamentos de marketing dos fabricantes brasileiros acha que todo mundo quer ser aventureiro. Fusca tem que ser aventureiro. Corolla tem que ser aventureiro. Romi-Isetta tem que ser aventureiro. E algum gênio achou que peruas têm que ser aventureiras. TÁ ERRADO, PERUA É CARRO PRÁ FAMÍLIA. E para trabalho também. É assim que se faz anúncio de perua:




30 de março de 2012

Conclusões Geniais da Imprensa Atoleimada - 3

Esse é um exemplo de texto bem escrito, da Carta Capital de 28/03/12, em reportagem sobre o “sucateamento” da TV Cultura:

O texto dá a entender que o jornal é uma reunião da Opus Dei, ignorando completamente a presença no jornal de Mario Sergio Cortella, Airton Soares, Eugenio Bucci, Vladimir Safatle, Carlos Novaes, Paulo Saldiva, Maristela Basso, Flavia Piovesan, Ricardo Sennes, dentre outros comentaristas, que não têm opinião exatamente “direitista” como os 3 acusados do texto.

Conclusão: A linha editorial democrática da revista acha que jornais de televisão não podem dar voz a comentaristas conservadores. É isso o que eles chamam de “ouvir o outro lado”.

14 de março de 2012

Conclusões Geniais da Imprensa Atoleimada - 2

O Estado de São Paulo - 14/03/2012

A reportagem diz que o ônibus que atingiu um carro na av. Vereador José Diniz estava em alta velocidade, pois testemunhas disseram que o veículo rodava a 80 km/h.

O disco do tacógrafo, retirado na ocasião do acidente, registrava velocidade de 48 km/h.

Conclusão: testemunhas oculares sabem calcular a velocidade de veículos muito melhor do que tacógrafos, que são instrumentos pouco confiáveis.

12 de março de 2012

Conclusões Geniais da Imprensa Atoleimada - 1

Bom Dia SP - TV Globo - 12/03/2012

Dois mergulhadores se afogam no lago de uma pedreira desativada.

O repórter diz que não havia controle de acesso ao lago.

Conclusão: se afogaram porque ninguém impediu o acesso, e não porque praticaram uma atividade que envolve algum risco. Sendo assim, é imperiosa a necessidade de controlar o acesso a todos os lagos, represas, rios, praias, piscinas, banheiras e cachoeiras do país, para que nunca mais alguém se afogue.

19 de setembro de 2011

Sobre o aumento do IPI 2

No post anterior, estava em dúvida se os importados pelas montadoras nacionais sofreriam o aumento. Pois bem, não sofrerão. O decreto foi feito para atingir cirurgicamente as marcas coreanas e chinesas. Montadoras aqui estabelecidas, e que atendem pelo menos 6 das 11 exigências contidas no decreto, podem importar veículos a vontade. Aliás, se alguém está tirando emprego dos brasileiros, é justamente as "nacionais" e sua enxurrada de veículos argentinos e mexicanos.

No entanto, analisando o mercado mais a fundo, chega-se a uma situação mais complexa, mas que pode ser facilmente assim resumida: fabricar automóveis no Brasil não vale a pena. Essa afirmação parece um absurdo, mas não é. Fabricar no Brasil é caro, uns 20% mais caro no México e, por incrível que pareça, atualmente custa mais fabricar aqui que na Europa ou nos EUA. Não pretendo dissecar os fatores que levam a essa carestia, mas isso é fato conhecido por todo o mercado. Pois bem, as consequências do "Fator Brasil", que torna tudo absolutamente caro, são as que conhecemos: as montadoras oferecem modelos defasados ou requentados, pois o custo de desenvolver ou trazer um novo ferramental para o país torna-se proibitivo ou muito arriscado; por isso vemos hoje essa enxurrada de mexicanos de categoria superior aos modelos fabricados aqui. Ao decidir centralizar a produção de veículos acima da classe "popular", optaram pelo México e Argentina, e não pelo Brasil.

Outra questão, pouco comentada, é que o lobby para o aumento do IPI não partiu apenas das "big four", mas também (e principalmente) das indústrias de autopeças e seus sindicatos. Este setor, muito mais que as montadoras em si, tem sofrido com a concorrência dos produtos importados e com o alto custo de produção local, tornando sua operação muitas vezes inviável. As autopeças não têm conseguido repassar o aumento de seus custos às montadoras, e estas têm optado cada vez mais por componentes europeus, americanos ou asiáticos. Por isso, embora o aumento do IPI valha apenas para o veículo pronto, e não para seus componentes, o decreto exigiu que pelo menos 65% das peças ou etapas de produção sejam realizadas localmente.

O governo federal, como já comentei, é hipócrita, mas sua atitude é até defensável do ponto de vista do interesse da produção local, visto que o risco de desindustrialização é real e vem ocorrendo na prática, por enquanto apenas no setor de autopeças. Mas, novamente, não é impossível que voltemos a ter montadoras aqui estabelecidas fechando suas portas. Como são incompetentes para tocar uma verdadeira política industrial que desonere toda a cadeia de produção (reforma tributária, infraestrutura, redução do custo de energia, etc, etc), por meio do aumento do IPI os governantes dizem proteger a indústria nacional e ainda por cima têm aumento de arrecadação. De quebra, com o muito provável aumento de preço dos nacionais, aumenta ainda mais sua arrecadação.

O interessante que tenho observado, tanto na internet, como em conversas com amigos e familiares, é que a população, especialmente a tão propalada "nova classe média", da qual inclusive faço parte, não comprou o discurso governamental de que o aumento visa a proteção dos empregos. Ninguém mais engole política industrial feita com base em aumento de impostos. O que as pessoas comuns querem, ao menos aquelas que trabalham e se sustentam com seu trabaho, é poder de escolha de produtos e serviços a preços razoáveis, e que o governo não encha o saco com política industrial feita com o bolso alheio.