19 de setembro de 2011

Sobre o aumento do IPI 2

No post anterior, estava em dúvida se os importados pelas montadoras nacionais sofreriam o aumento. Pois bem, não sofrerão. O decreto foi feito para atingir cirurgicamente as marcas coreanas e chinesas. Montadoras aqui estabelecidas, e que atendem pelo menos 6 das 11 exigências contidas no decreto, podem importar veículos a vontade. Aliás, se alguém está tirando emprego dos brasileiros, é justamente as "nacionais" e sua enxurrada de veículos argentinos e mexicanos.

No entanto, analisando o mercado mais a fundo, chega-se a uma situação mais complexa, mas que pode ser facilmente assim resumida: fabricar automóveis no Brasil não vale a pena. Essa afirmação parece um absurdo, mas não é. Fabricar no Brasil é caro, uns 20% mais caro no México e, por incrível que pareça, atualmente custa mais fabricar aqui que na Europa ou nos EUA. Não pretendo dissecar os fatores que levam a essa carestia, mas isso é fato conhecido por todo o mercado. Pois bem, as consequências do "Fator Brasil", que torna tudo absolutamente caro, são as que conhecemos: as montadoras oferecem modelos defasados ou requentados, pois o custo de desenvolver ou trazer um novo ferramental para o país torna-se proibitivo ou muito arriscado; por isso vemos hoje essa enxurrada de mexicanos de categoria superior aos modelos fabricados aqui. Ao decidir centralizar a produção de veículos acima da classe "popular", optaram pelo México e Argentina, e não pelo Brasil.

Outra questão, pouco comentada, é que o lobby para o aumento do IPI não partiu apenas das "big four", mas também (e principalmente) das indústrias de autopeças e seus sindicatos. Este setor, muito mais que as montadoras em si, tem sofrido com a concorrência dos produtos importados e com o alto custo de produção local, tornando sua operação muitas vezes inviável. As autopeças não têm conseguido repassar o aumento de seus custos às montadoras, e estas têm optado cada vez mais por componentes europeus, americanos ou asiáticos. Por isso, embora o aumento do IPI valha apenas para o veículo pronto, e não para seus componentes, o decreto exigiu que pelo menos 65% das peças ou etapas de produção sejam realizadas localmente.

O governo federal, como já comentei, é hipócrita, mas sua atitude é até defensável do ponto de vista do interesse da produção local, visto que o risco de desindustrialização é real e vem ocorrendo na prática, por enquanto apenas no setor de autopeças. Mas, novamente, não é impossível que voltemos a ter montadoras aqui estabelecidas fechando suas portas. Como são incompetentes para tocar uma verdadeira política industrial que desonere toda a cadeia de produção (reforma tributária, infraestrutura, redução do custo de energia, etc, etc), por meio do aumento do IPI os governantes dizem proteger a indústria nacional e ainda por cima têm aumento de arrecadação. De quebra, com o muito provável aumento de preço dos nacionais, aumenta ainda mais sua arrecadação.

O interessante que tenho observado, tanto na internet, como em conversas com amigos e familiares, é que a população, especialmente a tão propalada "nova classe média", da qual inclusive faço parte, não comprou o discurso governamental de que o aumento visa a proteção dos empregos. Ninguém mais engole política industrial feita com base em aumento de impostos. O que as pessoas comuns querem, ao menos aquelas que trabalham e se sustentam com seu trabaho, é poder de escolha de produtos e serviços a preços razoáveis, e que o governo não encha o saco com política industrial feita com o bolso alheio.

15 de setembro de 2011

Sobre o aumento de IPI para veículos importados

As montadoras "nacionais" - leia-se Fiat, Ford, VW e GM, se borrando de medo dos chineses e coreanos, conseguiram o que queriam: a carga tributária para veículos importados será aumentada. A notícia foi dada na imprensa como uma medida de coragem do governo em favor do consumidor. Isso é obviamente uma falácia, já que esta medida irá favorecer somente as montadoras nacionais e prejudicar o consumidor, que terá menos opções à sua disposição. Ou, em outros termos, as opções continuarão existindo, mas custarão mais caro.

O que ocorre é que cada vez mais os consumidores brasileiros acreditam que os veículos importados são melhor opção para gastarem seu dinheiro. Os consumidores de outros paises já haviam percebido isso há tempos, visto que as exportações têm diminuído ano a ano, com exceção de alguns modelos vendidos na América Latina. Isto ocorre por culpa das próprias montadoras nacionais, que criaram uma situação peculiar no mercado brasileiro: ao surgir uma nova geração de um veículo, ela não substitui a antiga, mas convive com ela por muito tempo. Chega-se ao cúmulo de haver quatro gerações de um modelo convivendo simultaneamente, como na Fiat, com o Mille, Palio (que o deveria ter substituído), Novo Uno e o Punto (que deveria ter substituído o Palio). Em quase todo o mundo, quando uma nova geração é lançada, a antiga simplesmente morre, desaparece, e a nova entra no lugar ao mesmo preço da antiga. No Brasil, a antiga permanece com o mesmo preço e a nova geração chega custando até 50% a mais. Isto ocorre porque as montadoras daqui não quiseram abrir mão da margem de lucro em detrimento de oferecer algo de melhor qualidade ao cliente. Novas gerações, num primeiro momento, derrubam a margem da empresa, pois seu preço tem de amortizar os custos de desenvolvimento. Por aqui, escolheu-se ganhar com o antigo, que já teve seus custos pagos e oferece grande margem, e com o novo, que chega com posicionamento de valor muito superior ao que deveria, também garantindo boa margem. O comprador que valoriza o seu dinheiro e procura fazer uma compra racional, acaba optando pela geração antiga, pois não aceita pagar um alto preço apenas pelo fator novidade.

Essa estratégia funcionou por uns quinze anos por aqui, mas começou a dar sinais de desgaste. De repente os importados passaram a parecer mais atrativos que as velhas gerações fabricadas por aqui. E daí surgiu toda essa situação que culminou com a atitude do governo de aumentar o IPI dos importados.

O governo joga para a platéia, que nesse caso são as big four nacionais, e não a população consumidora. Se quisesse realmente favorecer os compradores, teria reduzido o imposto dos nacionais, e não aumentado o dos importados. Além disso, o protecionismo leva invariavelmente à deterioração das opções de escolha do consumidor, coisa que quem tem mais de 30 anos se lembra bem, quando a proibição de importações impedia a compra de eletrônicos e veículos de qualidade, deixando o Brasil isolado do resto do mundo.

Não acredito que os carros coreanos e chineses devam sofrer grande aumento de preço. O custo de produção nestes paises é bem mais baixo que no Brasil, e provavelmente terão margem para absorver este aumento. Mas fica uma pergunta: e os importados trazidos pelas próprias nacionais? A Fiat aumentará o preço do Cinquecento mexicano? A Ford aumentará o preço do Fusion? A VW aumentará o preço do Jetta? A GM aumentará o preço do Omega? Conhecendo o poder do lobby das big four e a incompetência do governo, não duvido que o decreto que aumentou a alíquota do IPI de veículos com menos de 65% de peças nacionais tenha uma cláusula do tipo "esta resolução tem efeito apenas para veículos provenientes da China e Coréia do Sul". É importante que nós, consumidores, cuidemos para que não se volte aos anos 80, quando as importações eram proibidas. Parece impossível que isso aconteça, mas não é, levando em conta os interesses dos fabricantes daqui aliados à péssima estratégia econômica do governo de proteção da indústria nacional por aumento de impostos, em vez de redução.

3 de junho de 2011

Interlagos

Tenho lido em alguns blogs sobre pessoas que dirigiram no autódromo de Interlagos. Confesso que tenho vontade de colocar meu carro na pista. Mas enquanto isso, lembrei que tive oportunidade de percorrer, como passageiro, o circuito por 3 vezes com os seguintes veículos:
Microônibus MB 608 papamóvel da Mercedes-Benz
Ônibus Busscar Vissta Buss da viação Penha
MB Sprinter
Confesso que faltou emoção nas curvas com o papamóvel e a Sprinter. Mas com o Busscar o motorista mandou bem, contornando algumas curvas a mais de 50 km/h. Dava prá sentir o ônibus inclinando bastante.
Bem que no Brasil, como nos EUA, poderia haver corridas de ônibus escolares, Kombis e outros veículos inusitados.

24 de maio de 2011

About papayas and bananas

As I wrote before, after the cold front the air in São Paulo became very dry. Relative humidity during the afternoons is below 30%. We can really see the air we breathe! It's a grey and thick air, the reason for so many running noses in the streets. The dry air makes me want to eat fruits. I always liked fruits, but haven't ate so much as I should, so today I brought an apple to eat at work. My favourite fruits are bananas and papayas, but this last one is not very practical to be eaten at the work desk.. Fruits in Brazil are cheap and tasteful. One can find great variety, except berries, that grows only in cold climates. Papaya trees, for instance, grow very easily by seed. It's common in the country and small cities to see papaya trees in sidewalks or backyards, like this one that grew up in the middle of nowhere:
 
The papayas of this spontaneous trees are usually not very good to eat, they are not as sweet as the ones we buy. But they are a given gift, so we must not complain. Home grown bananas, on the other side, use to be much more tasteful than the “bought” ones. Commercial bananas have a whitish pulp, and some are not very sweet. Home grown ones have a yelowish and succulent pulp and are sweeter. Obviously this is not a rule, it's only my observations. Other regions (Brazil has 27 states) may have different patterns.

18 de maio de 2011

Autumn in São Paulo

This is my first post in English. It's been about 10 years I don't write anything in English longer than 1 line, so I may be a bit rusted. I live in São Paulo, the biggest brazilian city, where more than 11 million souls live (more than 20 million, if we consider the neighbour cities, a complex we call “Grande São Paulo”, or Big São Paulo).

It's autumn here. Temperatures dropped below 15ºC. This is very cold for us. Houses in Brazil don't have central heating (with very few excepctions in the south of the country, where it's colder). 90% of the houses in São Paulo (the number is a wild guess, I haven't done any research) have just one point of hot water, for the shower. The water is heated by an electrical device like this, called “chuveiro”:
                                                                        Fonte: http://mauroeletricista.blogspot.com/
 



There are dozens of manufacturers and models of chuveiros. It's obvious they don't heat the water to a pleasant level when the temperature is cold, so people have to let just a small stream of water run from the tap, in order to make it hotter. Newer blocks of apartments come with LPG water heaters, that work much better. I live in a 30 year old building, but the pre owner did a modification to install a GLP heater. One handicap is that LPG is expensive in Brazil, as any other utility like electricity, gasoline or telephone (the exception is water, that is cheap, until now).

At least temperatures never drop below 7 or 8ºC in São Paulo. We are not prepared for that. And soon, when the cold front is gone, we'll bask in 20 to 25ºC again. The only problem is, when high pressure system is back, pollution reaches very high levels.

8 de março de 2011

Jac J3

Às vezes o excesso de empolgação nos tira o senso crítico. Foi o que ocorreu ao ler os testes de apresentação do Jac J3. Foi elogiado por três revistas que li (Quatro Rodas, Autoesporte e Car & Driver). Todas mencionaram as "mais de 240 modificações" realizadas para venda do carro no Brasil. Mas uma das modificações me chamou a atenção, a que diz que o painel foi todo redesenhado, sob a coordenação do sr. Sergio Habib, para o Brasil. Não é verdade que o painel tenha sido inteiramente refeito, como pode ser comprovado pelas fotos abaixo retiradas do blog Auto-chinese.com e do site oficial da Jac Motors Brasil.
Painel chinês:
Painel nacional:
Instrumentos chineses:
Instrumentos nacionais:
O que ocorreu na verdade foi uma simples troca de cores para atendimento do (duvidoso) gosto brasileiro. O painel, que antes tinha a parte inferior em tom claro, ficou todo preto; e os instrumentos passaram a ter iluminação padrão Volkswagen no lugar do amarelo. Óbvia questão de gosto pessoal. No meu caso, preferia o carro com o interior mais claro. Bem que os responsáveis pelas reportagens poderiam conferir rapidinho, pela internet, se tudo que os fabricantes/importadores dizem é verdade, antes de publicar. Parece um detalhe sem importância, mas acaba por nos fazer questionar quanto à veracidade de todo o resto que foi dito. Se precisarem, segue o site da Jac chinesa: http://jacen.jac.com.cn/

3 de março de 2011

Renault Experience

Em fev/11 estive em algumas concessionárias Renault. Queria conhecer melhor Sandero e Symbol, com motor 1.6 16 válvulas. Confesso que fiquei bastante frustrado com a redução na oferta de motores Renault:
Kangoo versão passageiros: Não existe mais
Logan 1.6 16v: Não existe mais
Sandero 1.6 16v na versão "normal" (sem ser "esportivo" ou "aventureiro", versões que não me agradam): Não existe mais
Symbol 1.6 16v: Pelo menos em uma concessionária me foi dito que sairia de linha em 2011, informação desmentida em outra loja. Tomara que seja mesmo mentira.

Bem, fiz um test drive no Symbol e Logan, ambos com motor 1.6 8v. Primeiro o Symbol. O carro é bastante silencioso e macio. O câmbio é apenas correto, não muito macio, visto que a caixa é a mesma do meu Renault 19, utilizada nos Clio I e II, Scénic, Kangoo, Mégane I, etc, etc. Isto se traduz num câmbio bastante resistente, que provavelmente vai durar mais que o próprio carro. Mas fica o medo da embreagem endurecer demais, como sempre ocorre nos modelos acima citados. Torço sinceramente para que a Renault tenha corrigido este problema, já que não é fácil dirigir em SP com embreagem de Fenemê. O motorzinho 8 válvulas até que surpreendeu. Puxa bem o Symbol, que é mais leve que o Logan (comentarei logo à frente). Mas não se engane. Este motor 8 válvulas da Renault pertence a uma família diferente do 16 válvulas, e tem comportamento exatamente oposto: muito torque em baixa rotação, gira pouco (a injeção corta logo numas 6 mil rotações) e mesmo assim não adianta esticar muito as marchas, já que acima duns 4 mil giros o motor já não rende. Totalmente oposto do 16 válvulas. Gostei muito do acabamento do carro e da posição de dirigir. Achei a direção (hidráulica) um pouco dura, semelhante à do Fiesta. O interior é apertado, tem-se realmente a sensação de carro pequeno. Mas muito bem feito.
Logo depois, peguei o Logan. O interior é imenso e arejado, trata-se na verdade de um carro médio. A direção é bem mais macia que a do Symbol, assim como o câmbio, cuja caixa é diferente (a ré, por exemplo, fica ao lado da quarta, enquanto no Symbol fica ao lado da primeira marcha). A embreagem, por sua vez, é bem macia e tem curso longo (ao contrário do Symbol, que é bem curtinha). Ao menos não se houve falar que endurece demasiadamente com o tempo. Andando, o peso do Logan se faz presente no desempenho do motor. A impressão é que anda bem menos que o Symbol, ainda que o motor seja o mesmo. Falta motor (imagino como deve ser lento o 1.0). Arrancando num farol, a injeção cortou logo na segunda marcha, acredito que eu estivesse a pouco mais de 60 km/h. De resto, a posição de dirigir é ótima. É o tipo de carro que não requer adaptações. Independente do seu carro de uso no dia a dia, entra-se num Logan e na primeira arrancada já se está familiarizado com todos os comandos de câmbio, freio, direção como se fosse um velho conhecido.

Conclusão: Estava bastante interessado no Sandero, mas 1.6 8v não dá. Pesadão como o Logan que eu dirigi, o motor gira muito pouco, sem força em altas rotações. É ótimo para quem anda na cidade em terceira marcha o tempo todo. Mas na estrada, ultrapassando uma carreta, a injeção com certeza vai cortar antes de você terminar a manobra. Quanto ao Symbol, gostei muito. Se ainda existir com motor 1.6 16v, é a compra perfeita. Vou rezar para a embreagem macia que experimentei durar ao menos um mês nesta condição.

17 de fevereiro de 2011

Sobre carros chineses 4 - Effa M100

Fim de semana, fui a uma concessionária Effa. Não é fácil achar uma, já que na grande São Paulo quase todas são apenas lojas de carros usados que foram alçadas ao posto de revendedor Effa. Ou seja, o atendimento é tão bom e confiável quanto uma loja de carros usados qualquer (tire suas próprias conclusões). No site, entretanto, vi que havia uma nova loja em São Bernardo, que me pareceu mais bem estruturada. Cheguei lá e me surpreendi (em se tratando de Effa): era realmente uma concessionária! Com água, cafezinho e, finalmente, atendimento digno de quem quer comprar carro novo. Fui muito bem atendido. Perguntei se havia possibilidade de fazer um test drive, mas o carro disponível estava em revisão. Após alguns minutos, trouxeram um carro novinho, do estoque, para que pudesse testar. Saímos.
Manobrando: a direção, elétrica, é maciíssima, vira-se com a ponta dos dedos. E sem problema algum de progressividade, como ocorreu no Chery Face. O câmbio também é bastante razoável, mais preciso que o Chery (mas não é nenhum VW Golf, que fique bem claro). Interessante notar como todos os carros chineses têm a embreagem extremamente curta. Basta soltar um mínimo para que o motor se conecte ao câmbio. Quem não prestar atenção, corre o risco de deixar o carro morrer. Coisa de 10 minutos para se acostumar. O carro tinha menos de 30 km rodados, portanto com motor amarradíssimo. Mas cumpre bem seu papel citadino, dizendo os experimentados que pode fazer até 20 km com um litro de gasolina na estrada (mais barato de rodar, portanto, que qualquer carro flex nacional). O carrinho freia bem, mas é barulhento. Não o motor, mas o acabamento interno. A impressão é que chinês não se preocupa muito com barulho, e acaba deixando os componentes internos do acabamento soltos, como conectores elétricos, etc, que acabam batendo. Outro fato digno de nota é a capacidade de esterçar. O diâmetro de giro é de menos de 10 metros, as rodas viram uma barbaridade, melhor que qualquer popular nacional (comparável ao antigo Honda Fit). Entrei numa rua bem longa, finalmente com asfalto bom, e arranquei. O motor chegava com dificuldade aos 4 mil giros, ainda muito amarrado. Cheguei a uns 60 km, e comecei a fazer alguns desvios, ao estilo Quatro Rodas. Bem... de fato andar em alta velocidade com o Effa parece ser uma temeridade. Nesta situação, é um carro para experimentados. Espero que ninguém compre com a intenção de rodar apenas em estradas. O ar condicionado funciona bem, mas rouba muita potência do motor (e ele tem pouca disponível). Mas num congestionamento é muito bem vindo.
Se eu compraria? Sim, se tivesse R$ 26.000,00 sobrando e outro carro na garagem. O Effa é perfeito para andar em São Paulo. É pequeno, esterça bem, gasta pouco e é macio e gostoso de dirigir. Pelos relatos que li na internet, dá alguns probleminhas, mas fáceis de resolver e as peças são baratas. Mas é melhor esperar que surjam ainda umas 2 ou 3 novas concessionárias como a de SBC, já que os atuais "revendedores de usados autorizados Effa" não têm condição alguma de prestar uma boa assistência.
Quanto ao teste de longa duração da Quatro Rodas, que destruiu a imagem do carro, deve ser levado em conta com critério. O M100 realmente não é expoente de estabilidade. Mas não é um caixão ambulante, como se quis fazer parecer. As pessoas ainda andam de Kombi, Ecosport e outros jipinhos que não têm estabilidade muito melhor que o Effa. Além disso, durante os 40 mil km do teste houve elogios à resistência do veículo, com viagens ao nordeste e ao Uruguai. Os problemas todos foram simples (com exceção da quebra do cabo do trambulador, que imobilizou o carro) e no desmonte as peças não estavam todas ruins (motor e câmbio bons, suspensão e freio condenados). Pense nos prós e contras e seja feliz.

Sobre carros chineses 3 - Chery Face

Fim de semana, fui a uma concessionária da Chery em Santo André. Fui muito bem atendido. Ao solicitar test drive no Face, o vendedor sem mais delongas me trouxe a chave, e saímos. O banco é alto, as pernas ficam bem dobradas, ao estilo minivan. Ou VW Fox. Primeira impressão, a direção (hidráulica) tem algum defeito. É maciíssima, mas não tinha progressividade ao girar. Durante a manobra, dava alguns soquinhos, impressão de bomba com problema ou falta de óleo. O câmbio tem curso longo e é macio. Difícil é encontrar as marchas, não é um câmbio que se possa dirigir esportivamente. O motor surpreendeu. 1.3 16 válvulas, achei que andava pouco. Mas é fortinho e gira bem, basta aproveitar as rotações do motor. A suspensão é dura e o carro sofre no aglomerado de piche que na grande São Paulo conhecemos por asfalto. Fato interessante, não é defeito nem qualidade, apenas característica, é que o eixo traseiro, rígido, tem comportamento diferente dos 90% dos carros nacionais com eixo traseiro de torção. Ao passar de lado nas valetas sente-se o eixo trabalhando, sensação que logo de cara me remeteu ao Chevette. Ao voltar, a direção continuou incomodando para manobrar.
Se eu compraria? Ainda não. Há muitos relatos de defeitos na caixa de direção, que não aguenta o solo brasileiro. Quem disser que o asfalto na China é pior que no Brasil está mentindo. Nenhum lugar do mundo tem asfalto pior que aqui. E isso exige grande trabalho para tornar a suspensão e demais componentes dos veículos importados mais robusta. Coisa de um ano, talvez, para a engenharia da Chery resolver. Aí sim, pelo pacote apresentado, valeria a pena.

Don Juan de barro

Interessante observar como todas as pessoas olham para mim. Os homens, com inveja. As mulheres, com desejo. Sempre foi assim. Na escola eu era irresistível. Era nítido como os olhares femininos estavam sempre voltados para mim. Eu era muito bonito. Com o passar dos anos, mudei muito pouco. Os olhares continuam. Não foi fácil descobrir que os olhares envergonhados querendo esconder sua admiração por mim dificilmente se transformariam no meu maior objetivo àquela época: trocar alguns beijos. Mas ficaria feliz em apenas tocar alguma parte do corpo de uma mulher. Talvez a vergonha fosse muita. De mim. E, com o passar do tempo, os olhares mudaram. Se mantiveram envergonhados e fugazes. Querendo esconder-se da desaprovação. Querendo que eu não percebesse que não eram para mim.

Pointless

Pela manhã o dia é novo. Difícil saber como serão as horas seguintes. Ainda mais quando não se tem um objetivo para aquele dia. Ou aquela semana, ou ano. É necessário ter um objetivo. As pessoas lutam para alcançá-lo. Pode-se imaginar, então, que quem não tem um objetivo não luta. Não é verdade. Luto muito. Para ter um objetivo e, mais ainda, para manter minhas funções vitais mesmo sem tê-lo. Será que a morte é dolorida? Será um descanso eterno? Conflito. Por que alguém sem objetivo quereria o descanso eterno? Uma eternidade sem objetivo... Talvez fosse ainda mais angustiante que a passagem pela terra. Considerando não ter saída, é preciso ter paciência...

Nem tudo é sonho

Ontem eu sonhei. Quase sempre meus sonhos são bons, e aquele não foi exceção. Quem garante que os sonhos não são reais? Tudo o que vemos, sentimos e fazemos enquanto estamos acordados é registrado e comandado pelo nosso cérebro. Ora, o que é um sonho, senão uma incrível recriação do mundo real feita pelo nosso pensamento? E mais, caso não tivéssemos consciência, ao acordar, de que aquilo fora um sonho, o que garantiria que nosso cérebro fosse capaz de distinguir se o que passou foi real ou não? A verdade é que, graças a deus, eu sonho. E, conscientemente, tento considerar o que se passou como se tivesse sido real. Afinal de contas, se aquilo tivesse realmente ocorrido, meus sentidos não o registrariam de maneira idêntida à que fazem nos sonhos? Portanto, meus sonhos são reais. E faço e sou capaz de fazer coisas que não teria coragem durante o dia. A noite, eu sou mais eu.