Um dos grandes argumentos dos que desconfiam dos carros chineses é em relação à segurança passiva, no caso de colisões. As revistas do ramo têm batido bastante nesta tecla. Em alguns fóruns de internet, pessoas chegam a comentar que “dirigir esses carros é como dirigir o próprio caixão”, dentre outras delicadezas. O que me surpreende, não no discurso das revistas, mas no dos possíveis clientes, é essa súbita preocupação com segurança, num mercado em que se sabe que a importância dada a este quesito na compra de um automóvel é próxima de zero. Afinal, entre um jogo de rodas de liga leve um um par de air bags, creio que uns 90% dos compradores escolham o primeiro.
Quanto aos testes de colisão, acho que a maioria dos chineses deve ser ruim mesmo. Mas não acho que sejam piores que boa parte dos carros nacionais. Não faz sentido a pessoa achar que um chinês é um “caixão sobre rodas” e depois dirigir um Mille ou uma Kombi. Há outros casos, como o Celta, Ecosport, Novo Uno, Agile, dentre outros modelos de projeto nacional, que não seguem os padrões internacionais de segurança. E, como no Brasil por enquanto crash tests não são obrigatórios, só Deus sabe o quanto esses carros são melhores ou piores que os chineses. Mas uma coisa é certa: os chineses estão dispostos a acertar. Diferentemente das montadoras nacionais, que levam séculos para implantar melhorias nos veículos (normalmente são “piorias”, como a depenagem de equipamentos), os asiáticos respondem muito rápido às exigências do mercado. Como ainda concorrem de maneira muito tímida na Europa, e praticamente não existem nos EUA, talvez não tenham tido retorno suficiente das minúcias exigidas pelos clientes. Mas com a entrada forte no mercado brasileiro, o quarto maior do mundo, talvez tenham um bom balão de ensaio para melhorias em termos de durabilidade e robustez, e quem sabe até de segurança, agora que este item parece ter entrado em discussão.
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